Televisores preto e branco, fotos
monocromáticas reveladas em quatro dias, rádios de ondas curtas, telegramas,
máquinas de escrever, calculadoras mecânicas, medicina auxiliada pelos raios X,
tabelas de logaritmos...
Tudo isto parece ser coisas de uns
100 anos atrás, comparadas a nossa atual sociedade, mas não, estamos falando de
50 anos atrás. Parece pouco? Então converse com seus pais e pergunte os sobre
seu primeiro televisor.
Hoje temos um televisor em cada
cômodo de casa, computadores que carregamos em nossos bolsos e temos imagens
fantásticas do interior do corpo humano através da ressonância magnética. Não
avançamos somente na tecnologia, mas também ao seu acesso.
O Brasil em 2012 segundo a Agência
Nacional de Telecomunicações - ANATEL, possuí 202,94 milhões de telefones
celulares, com uma população de 196.6 milhões temos então 1,03 celulares por
habitante, com este dado deduzimos que todos nós interagimos com satélites
indiretamente e diretamente com microprocessadores e claro com um fenômeno
comprovado em 1883 por Hertz que é base para todas as comunicações sem fio, às
ondas eletromagnéticas.
Então se questionarmos os usuários
de celulares algumas informações sobre os conhecimentos citados acima como, por
exemplo: Porque os satélites não caem lá do alto? Ou o que significa aquele
número que chamamos de Mega-hertz O qual todos nós procuramos para
escutar a rádio preferida. Quantas pessoas saberiam responder estas questões,
que aos meus olhos são básicas para com a realidade que vivemos... Creio que um
pequeno número.
Nós criamos uma sociedade em que os
elementos mais básicos de nossas vidas como transportes, comunicações, todas as
indústrias, a agricultura, a medicina, a educação, a proteção ao meio ambiente
e até o entretenimento dependem profundamente da tecnologia e da ciência.
Criamos paralelamente uma sociedade o qual ninguém compreende a ciência e a
tecnologia. Porque há pouca divulgação da ciência nas escolas? Ou até mesmo nas
universidades?
Nossos meios de comunicação
principalmente à televisão não vem ao nosso socorro, muito pelo contrário, como
dito por Carl Sagan: “Temos uma programação de padrão nivelado por baixo, na
apresentação crédula da pseudociência e da superstição, mas especialmente numa
espécie de celebração da ignorância”.
Infelizmente entre nós, mais
principalmente os jovens que vêem televisão, a lição clara é que buscar
conhecimento e aprender e não se trata apenas de ciência, é evitável, até
indesejável. O emburrecimento do nosso país, e claro, não somente ele (Carl
Sagan deixa claro em seu livro o evidente declínio a América do Norte isto em
1997), terá consequências desastrosas quando grandes poderes tecnológicos
estarão nas mãos de poucos (não me refiro à países), e nenhum representante do
interesse público poderá sequer compreender do que se trata, onde as pessoas
terão perdido a capacidade de estabelecer seus próprios compromissos ou
questionar compreensivelmente os das autoridades. Onde Carl Sagan diz:
“Quando, agarrando os cristais e consultando
nervosamente os horóscopos, com as nossas faculdades críticas em decadência,
incapazes de distinguir entre o que nos dá prazer e o que é verdade, voltaremos
a escorregar, quase sem notar, para a superstição e a escuridão...”.
“... É uma receita
para o desastre. Podemos escapar ilesos por algum tempo, porém mais cedo ou
mais tarde essa mistura inflamável de ignorância e poder vai explodir na nossa
cara”.
Divulgar a ciência é de extrema
importância, mas é nosso dever buscar o conhecimento de forma consciente sem
deixarmos as pseudociências, religiões ou superstições influenciar nas
informações a serem absorvidas. A ciência pode parecer difícil de entender,
pode desafiar opiniões, pode levar a armas de destruição em massa nas mãos de
governos. Mas uma coisa é preciso reconhecer, ela cumpre a sua parte.
Um bom exemplo é: Você pode ir ao
feiticeiro-curandeiro para que ele desfaça o feitiço que causa a sua anemia
perniciosa, ou tomar vitamina B12.
Se você quiser saber quando será o
próximo eclipse do Sol, pode procurar a astrologia ou místicos, mas terá melhor
resultados com os cientistas. Eles lhe dirão onde se posicionar na Terra,
quando terá de estar nesse lugar, e se vai ser um eclipse parcial, total ou
anular. Eles conseguem prever rotineiramente um eclipse solar, com exatidão de
minutos, um milênio antes.
Temos que entender que, precisamos
conhecer e entender o mundo que nos circunda, da mesma maneira que para se
comunicar devemos aprender uma língua, não me refiro ao conhecimento profundo
da ciência e da tecnologia, mas sim o suficiente para que possamos tomar
decisões baseadas em algo concreto e não na superstição, e o mais importante
questionar compreensivelmente outras pessoas, instituições e governos diante do
dito ou de algo imposto. Um bom exemplo pode ser:
“... Sim, o novo conservante
causa câncer em ratos. Mas e se, para induzir o câncer, for preciso dar a uma
pessoa, que pesa muito mais do que um rato, quase quinhentos gramas da
substância por dia? Nesse caso, talvez o novo conservante não seja assim tão
perigoso”.
Deveríamos nós questionar: A
vantagem de ter alimentos conservados por longos períodos seria mais importante
do que o pequeno risco adicional de câncer? Quem decide? Que dados são
necessários para tomar uma decisão prudente?
Não somos capazes de ler e
compreender um simples rótulo de produto no supermercado, questionar o nosso
médico que esta receitando um remédio sem ao mesmo ter realizado um exame e
muito menos o que nossos filhos podem ou não ver na televisão ou na internet,
não creio que isto seja de interesse de algum governo, pois os políticos também
se encontram na sombra do analfabetismo tecnológico.
Infelizmente alguns editores,
produtores de televisão, professores e até cientistas acreditam que as pessoas
são demasiado ignorantes ou estúpidas para compreender a ciência, que a
divulgação é fundamentalmente uma causa perdida.
Nós que conhecemos mesmo que em diminuta parte a ciência e a vivemos, temos que
divulga lá, bem como, o método cientifico, não em escrever artigos para grandes
revistas cientificas que são lidos por entusiastas da ciência e por cientistas,
e sim tentar comunicar a ciência básica em jornais, em revistas, no rádio e na
televisão, em palestras para o público em geral e principalmente nos livros didáticos
das escolas primária e secundária, pois é na matéria de ciências que devemos
instigar a curiosidade.
Segundo a revista Nova Escola, pela
importância de ciências para a educação, o Programa Internacional de Avaliação
de Alunos (Pisa) - exame que mede o nível de ensino em diversos países, de três
em três anos - investiga como os estudantes de 15 anos estão em relação ao
aprendizado desses conhecimentos. Infelizmente, o resultado do Brasil deixa a
desejar: em 2006, o país ficou em 52º lugar (de um total de 57 nações
participantes). Uma das principais causas apontadas para o fracasso é a maneira
de ensinar a disciplina, que muitas vezes é apoiada em concepções equivocadas e
não desperta o interesse dos alunos.
"Trabalhar os conteúdos de
Ciências é dar oportunidade a crianças e jovens de entender o mundo e
interpretar as ações e os fenômenos que observam e vivenciam no
dia-a-dia", diz
Luciana Hubner, formadora de professores e selecionadora do Prêmio Victor
Civita.
Deixarei você pensar no assunto,
finalizando assim com a colocação de Carl Sagan:
“...Divulgar a ciência é tentar tornar os seus
métodos e descobertas acessíveis aos que não são cientistas é o passo que se
segue natural e imediatamente. Não explicar a ciência me parece perverso.
Quando alguém está apaixonado, quer contar a todo mundo... ...A ciência é
mais do que um corpo de conhecimento, é um modo de pensar.”