Uma visão através da janela vem colocar seu ponto de vista, bem como a opninão com respeito à assuntos ligados intimamente em nossas vidas. Uma visão através das inúmeras janelas da humanidade: ciência, religião, filosofia, ética entre outras .

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Analfabetismo Científico - Tecnológico






  Televisores preto e branco, fotos monocromáticas reveladas em quatro dias, rádios de ondas curtas, telegramas, máquinas de escrever, calculadoras mecânicas, medicina auxiliada pelos raios X, tabelas de logaritmos...
  Tudo isto parece ser coisas de uns 100 anos atrás, comparadas a nossa atual sociedade, mas não, estamos falando de 50 anos atrás. Parece pouco? Então converse com seus pais e pergunte os sobre seu primeiro televisor.
  Hoje temos um televisor em cada cômodo de casa, computadores que carregamos em nossos bolsos e temos imagens fantásticas do interior do corpo humano através da ressonância magnética. Não avançamos somente na tecnologia, mas também ao seu acesso.
  O Brasil em 2012 segundo a Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL, possuí 202,94 milhões de telefones celulares, com uma população de 196.6 milhões temos então 1,03 celulares por habitante, com este dado deduzimos que todos nós interagimos com satélites indiretamente e diretamente com microprocessadores e claro com um fenômeno comprovado em 1883 por Hertz que é base para todas as comunicações sem fio, às ondas eletromagnéticas.
 Então se questionarmos os usuários de celulares algumas informações sobre os conhecimentos citados acima como, por exemplo: Porque os satélites não caem lá do alto? Ou o que significa aquele número que chamamos de Mega-hertz  O qual todos nós procuramos para escutar a rádio preferida. Quantas pessoas saberiam responder estas questões, que aos meus olhos são básicas para com a realidade que vivemos... Creio que um pequeno número.  
  Nós criamos uma sociedade em que os elementos mais básicos de nossas vidas como transportes, comunicações, todas as indústrias, a agricultura, a medicina, a educação, a proteção ao meio ambiente e até o entretenimento dependem profundamente da tecnologia e da ciência. Criamos paralelamente uma sociedade o qual ninguém compreende a ciência e a tecnologia. Porque há pouca divulgação da ciência nas escolas? Ou até mesmo nas universidades?
   Nossos meios de comunicação principalmente à televisão não vem ao nosso socorro, muito pelo contrário, como dito por Carl Sagan: “Temos uma programação de padrão nivelado por baixo, na apresentação crédula da pseudociência e da superstição, mas especialmente numa espécie de celebração da ignorância”.  
   Infelizmente entre nós, mais principalmente os jovens que vêem televisão, a lição clara é que buscar conhecimento e aprender e não se trata apenas de ciência, é evitável, até indesejável. O emburrecimento do nosso país, e claro, não somente ele (Carl Sagan deixa claro em seu livro o evidente declínio a América do Norte isto em 1997), terá consequências desastrosas quando grandes poderes tecnológicos estarão nas mãos de poucos (não me refiro à países), e nenhum representante do interesse público poderá sequer compreender do que se trata, onde as pessoas terão perdido a capacidade de estabelecer seus próprios compromissos ou questionar compreensivelmente os das autoridades. Onde Carl Sagan diz:

          “Quando, agarrando os cristais e consultando nervosamente os horóscopos, com as nossas faculdades críticas em decadência, incapazes de distinguir entre o que nos dá prazer e o que é verdade, voltaremos a escorregar, quase sem notar, para a superstição e a escuridão...”.
            “... É uma receita para o desastre. Podemos escapar ilesos por algum tempo, porém mais cedo ou mais tarde essa mistura inflamável de ignorância e poder vai explodir na nossa cara”.         
    
   Divulgar a ciência é de extrema importância, mas é nosso dever buscar o conhecimento de forma consciente sem deixarmos as pseudociências, religiões ou superstições influenciar nas informações a serem absorvidas. A ciência pode parecer difícil de entender, pode desafiar opiniões, pode levar a armas de destruição em massa nas mãos de governos. Mas uma coisa é preciso reconhecer, ela cumpre a sua parte.
   Um bom exemplo é: Você pode ir ao feiticeiro-curandeiro para que ele desfaça o feitiço que causa a sua anemia perniciosa, ou tomar vitamina B12.       
   Se você quiser saber quando será o próximo eclipse do Sol, pode procurar a astrologia ou místicos, mas terá melhor resultados com os cientistas. Eles lhe dirão onde se posicionar na Terra, quando terá de estar nesse lugar, e se vai ser um eclipse parcial, total ou anular. Eles conseguem prever rotineiramente um eclipse solar, com exatidão de minutos, um milênio antes.
   Temos que entender que, precisamos conhecer e entender o mundo que nos circunda, da mesma maneira que para se comunicar devemos aprender uma língua, não me refiro ao conhecimento profundo da ciência e da tecnologia, mas sim o suficiente para que possamos tomar decisões baseadas em algo concreto e não na superstição, e o mais importante questionar compreensivelmente outras pessoas, instituições e governos diante do dito ou de algo imposto. Um bom exemplo pode ser:
            “... Sim, o novo conservante causa câncer em ratos. Mas e se, para induzir o câncer, for preciso dar a uma pessoa, que pesa muito mais do que um rato, quase quinhentos gramas da substância por dia? Nesse caso, talvez o novo conservante não seja assim tão perigoso”.
   Deveríamos nós questionar: A vantagem de ter alimentos conservados por longos períodos seria mais importante do que o pequeno risco adicional de câncer? Quem decide? Que dados são necessários para tomar uma decisão prudente?  
   Não somos capazes de ler e compreender um simples rótulo de produto no supermercado, questionar o nosso médico que esta receitando um remédio sem ao mesmo ter realizado um exame e muito menos o que nossos filhos podem ou não ver na televisão ou na internet, não creio que isto seja de interesse de algum governo, pois os políticos também se encontram na sombra do analfabetismo tecnológico. 
   Infelizmente alguns editores, produtores de televisão, professores e até cientistas acreditam que as pessoas são demasiado ignorantes ou estúpidas para compreender a ciência, que a divulgação é fundamentalmente uma causa perdida.
   Nós que conhecemos mesmo que em diminuta parte a ciência e a vivemos, temos que divulga lá, bem como, o método cientifico, não em escrever artigos para grandes revistas cientificas que são lidos por entusiastas da ciência e por cientistas, e sim tentar comunicar a ciência básica em jornais, em revistas, no rádio e na televisão, em palestras para o público em geral e principalmente nos livros didáticos das escolas primária e secundária, pois é na matéria de ciências que devemos instigar a curiosidade.
   Segundo a revista Nova Escola, pela importância de ciências para a educação, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) - exame que mede o nível de ensino em diversos países, de três em três anos - investiga como os estudantes de 15 anos estão em relação ao aprendizado desses conhecimentos. Infelizmente, o resultado do Brasil deixa a desejar: em 2006, o país ficou em 52º lugar (de um total de 57 nações participantes). Uma das principais causas apontadas para o fracasso é a maneira de ensinar a disciplina, que muitas vezes é apoiada em concepções equivocadas e não desperta o interesse dos alunos.

            "Trabalhar os conteúdos de Ciências é dar oportunidade a crianças e jovens de entender o mundo e interpretar as ações e os fenômenos que observam e vivenciam no dia-a-dia", diz Luciana Hubner, formadora de professores e selecionadora do Prêmio Victor Civita.

   Deixarei você pensar no assunto, finalizando assim com a colocação de Carl Sagan:

             “...Divulgar a ciência é tentar tornar os seus métodos e descobertas acessíveis aos que não são cientistas é o passo que se segue natural e imediatamente. Não explicar a ciência me parece perverso. Quando alguém está apaixonado, quer contar a todo mundo... ...A ciência é mais do que um corpo de conhecimento, é um modo de pensar.”